domingo, 21 de abril de 2013

Nova espécie de peixe transparente é descoberta no Rio Negro, no AM


O Cyanogaster noctivaga foi descoberto durante expedição de três pesquisadores brasileiros e um alemão no Rio Negro, em 2011 (Foto: Arquivo Pessoal/Ralf Britz)O Cyanogaster noctivaga foi descoberto durante expedição de três pesquisadores brasileiros e um alemão no Rio Negro, em 2011 (Foto: Arquivo Pessoal/Ralf Britz)
Uma equipe formada por três pesquisadores brasileiros e um alemão conseguiu descobrir uma nova espécie de peixe na Amazônia. Em meados de novembro de 2011, uma expedição de 15 dias, na região do município de Santa Isabel do Rio Negro, a 846 quilômetros de Manaus, possibilitou a captura de um peixe transparente denominado Cyanogaster noctivaga. Com dois centímetros de comprimento, o animal nunca havia sido identificado na literatura científica, de acordo com a líder da expedição, a bióloga Manoela Marinho.
O objetivo do grupo era capturar peixes de pequeno porte. Durante três turnos diários, os pesquisadores se deslocavam a diferentes áreas do Rio Negro, no município de Santa Isabel (AM). Marinho, que atua no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), contou que o tamanho, a cor e a transparência do pequeno peixe chamaram atenção. "Em diferentes momentos da expedição, a espécie nova só foi capturada à noite. Daí concluímos que se trata de um peixe de hábitos noturnos", afirmou a bióloga.
A pesquisadora disse que as características do peixe obrigaram à definição de uma nova espécie. "Consultamos a literatura científica e vimos que esse peixe tinha um conjunto de características que eram tão únicas que faziam dele uma espécie nova. Então criamos um gênero novo, para melhor classificar esse peixe”, acrescentou.
A denominação Cyanogaster noctivaga faz referência à coloração e aos hábitos do peixe. Enquanto o primeiro nome “Cyanogaster” significa “estômago azul”, “noctivaga” faz menção ao “vaguear noturno” da espécie.
Pesquisadores capturaram o Cyanogaster com auxílio de rede (Foto: Arquivo Pessoal/Manoela Marinho (USP))Pesquisadores capturaram o Cyanogaster com auxílio de rede (Foto: Arquivo Pessoal/Manoela Marinho (USP)
Além de Manoela Marinho, a expedição contou com a participação dos brasileiros Mônica Toledo-Piza e George Mattox. O alemão Ralf Britz, do Museu de História Natural de Londres, registrou as imagens da viagem e da nova espécie. Em entrevista , Britz, que é especialista nesse tipo de pesquisa, afirmou que a escolha do Rio Negro para o trabalho havia sido respaldada por uma expedição anterior, feita por Maoela, Mônica e George na região de Santa Isabel. “Essa expedição deles nos mostrou que poderíamos encontrar peixes de pequeno porte ali. Percebemos também que o Rio Negro parece abrigar mais peixes em miniatura do que qualquer outro rio amazônico”, ressaltou.
Para capturar um peixe com 2 centímetros de comprimento e corpo transparente, o quarteto coletou amostras em diferentes locais e habitats nos arredores de Santa Isabel. Segundo o alemão, uma noite os pesquisadores jogaram uma rede perto de uma praia rochosa e notaram um número de pequenos peixes transparentes nadando rápido. “A luz das nossas lanternas foi refletida pelos peixes e fez com que os seus corpos ganhassem uma cor azul brilhante. Naquele momento, vimos que tínhamos encontrado algo diferente”, lembrou.
Descoberta é "nova peça no quebra-cabeça da evolução dos peixes", disse Ralf Britz (Foto: Arquivo Pessoal/Manoela Marinho (USP))Descoberta é "nova peça no quebra-cabeça da evolução dos peixes", disse Ralf Britz (Foto: Reprodução/Ichthyological Exploration of Freshwaters)
Ao ver o cardume, Britz tirou aquela que define como “uma das fotos mais difíceis que já fez”. “O Cyanogaster é extremamente frágil e morreu segundos depois de ser transferido para um tanque específico para fotos. Então, na primeira noite eu não consegui uma imagem boa. Na segunda noite eu coloquei o tanque próximo à superfície da praia. Com a ajuda de George, joguei uma rede e, assim que capturamos aquelas preciosidades, as transferi para o tanque com uma colher grande, para que elas não ficassem um só segundo fora d´água”, relatou. A estratégia deu certo e os peixes conseguiram sobreviver o suficiente para que o pesquisador fizesse seus registros. “Quando eu mostrei o resultado para o resto da equipe todos ficaram sem palavras. Foi ali que vimos toda a beleza da espécie pela primeira vez. Descobrir um peixe tão diferente em um lugar inesperado é um daqueles momentos na vida que você vai lembrar para sempre e vai contar para seus filhos e netos”, continuou o alemão.
Em um registro de Britz, os pesquisadores brasileiros Manoela Marinho e George Mattox (Foto: Arquivo Pessoal/Ralf Britz)Em um registro de Britz, os pesquisadores
brasileiros Manoela Marinho e George Mattox
(Foto: Arquivo Pessoal/Ralf Britz)
E como uma descoberta desse porte influencia o campo da ciência? Na opinião do pesquisador, a equipe conseguiu encontrar uma nova peça no quebra-cabeça da evolução dos peixes. “Nós fornecemos uma descrição detalhada da espécie, incluindo a sua anatomia, para usufruto de todos os estudiosos dessa classe. Descobrir algo assim é emocionante, até pela beleza e a sutil combinação do corpo transparente e do abdômen que reflete a cor azul do Cyanogaster”, resumiu.
Já a bióloga Manoela Marinho considerou a possibilidade de outras espécies de peixe de pequeno porte entrarem em extinção antes mesmo de serem descobertas. “A quantidade de peixes encontrada no Rio Amazonas é única no mundo, e ainda há muito que descobrir. É importante que essa biodiversidade seja conhecida e preservada, visto que o futuro do planeta é extremamente dependente das relações humanas com o meio ambiente”, frisou.
Cyanogaster perde transparência após morto (Foto: Reprodução/Ichthyological Exploration of Freshwaters)Imagem do Cyanogaster noctivaga morto (Foto: Reprodução/Ichthyological Exploration of Freshwaters)






A coordenadora do Departamento de Coleção de Peixes do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) em Manaus, Lúcia Helena Rapp PyDaniel, acredita que a descoberta evidencia ainda mais a riqueza da biodiversidade amazônica e a importância de se desenvolver mais trabalhos na região. Segundo ela, muitas espécies já foram descobertas ao longo dos anos, mas estão em processo de descrição. "Isso apresenta uma enorme diversidade de peixes, com muitas formas ainda a serem descobertas", disse.

Sobre a espécie encontrada no Rio Negro, Lúcia PyDaniel disse que o Cyanogaster noctivagapertece a um grupo de peixes que habita o local há poucos anos. "Apesar do pouco que sabemos ainda sobre evolução da biota amazônica, esta espécie pertence a um grupo de peixes que não é dos mais antigos. Com certeza, essa espécie, como várias outras de pequeno porte, tem um papel no ecossistema que habitam, papel esse que ainda temos que entender melhor", explicou.
A pesquisadora, especialista em Sistemática Filogenética de Peixes, disse ainda que estudiosos do Inpa já descreveram dezenas de espécies novas de peixes nos últimos 20 anos de trabalhos no Rio Negro. "O ano passado o Inpa participou de uma expedição para a área de Santa Isabel onde diversas coletas foram realizadas. Porém, o Rio Negro , por si só, é um ambiente complexo e apresenta uma grande diversidade de ambientes e igarapés.  É portanto, um ambiente muito propício a novos descobrimentos", concluiu.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Grilos usam 'remos' nas patas para saltar de dentro da água, diz estudo


Animal do tipo 'pigmeu' possui estrutura similar a remos nas patas traseiras. Estudo foi publicado no periódico 'Current Biology', nesta segunda-feira (3).


Famosos por serem grandes saltadores em terra, grilos de uma certa espécie conhecida popularmente como "pigmeu" na Europa possuem outra característica recém-descoberta, informam cientistas da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha. Eles são capazes de saltar de dentro da água com o impulso das patas traseiras, usando estruturas parecidas com "remos" contidas nestes membros.
As informações são de um estudo publicado no site do periódico "Current Biology", nesta segunda-feira (3). Para o pesquisador Malcom Burrows, um dos autores da pesquisa, os grilos "pigmeus" "resolveram a mais difícil tarefa para [conseguirem] saltar da superfície da água".
"Para insetos pequenos, a água pode ser uma armadilha mortal. A água é viscosa e envolve o inseto, transformando-o em uma presa fácil para peixes. Os grilos deste tipo transformaram a viscosidade da água em uma vantagem e usam esta propriedade do líquido para conseguirem pular", afirmou Burrows na pesquisa.
Por acaso
O cientista descobriu o comportamento dos insetos por acaso, enquanto estava sentado próximo a um lago na África do Sul, almoçando. Ele ouviu barulhos vindos da água e, após olhar atentamente, descobriu os insetos saltando da lagoa para o banco no qual ele estava sentado. Burrows então coletou alguns insetos e os levou para serem examinados em laboratório.
As estruturas com forma de "remo" nas patas traseiras possuem proteínas chamadas de resilina, substância que segundo o pesquisador é "muito elástica".
Grilo do tipo "pigmeu" fotografado pelos cientistas (Foto: Divulgação/Malcom Burrows/Current Biology)Grilo do tipo "pigmeu" fotografado pelos cientistas
(Foto: Divulgação/Malcom Burrows/Current Biology)
Quando o inseto mergulha as estruturas com forma de "remo" na água, ele as estica com força e ele, então, as apóia em bolhas de água, empurrando-as para baixo enquanto seu corpo é projetado na direção contrária, realizando o salto.
Estudar as estruturas nas patas destes insetos pode ter resultados práticos, diz o pesquisador. Para ele, o estudo pode ajudar no futuro a projetar pequenos veículos submarinos que usem um princípio propulsão parecido, por exemplo.

Fotógrafo captura briga entre ursos


Animais disputaram salmão em parque do Alasca.
Imagens surpreenderam o próprio autor.


O fotógrafo japonês Shogo Asao foi ao Parque Nacional Katmai, no Alasca (EUA), na esperança de capturar a interação de duas das principais atrações no local: os ursos e os salmões. Acabou flagrando uma briga de 15 minutos entre dois ursos cinzentos que disputavam um salmão. Veja galeria de fotos.
'De repente vi dois ursos se observando e rugindo', contra Asao.
'É a primeira vez que vejo uma cena dessas. Estava tão perto dos animais que tive de ficar completamente imóvel até que eles desaparecessem.'
A proximidade com a briga fez com que o fotógrafo temesse ser percebido pelos animais, o que não aconteceu. Asao disse que ficou imóvel até que os dois ursos se acalmassem e se afastassem.
 O fotógrafo japonês Shogo Asao foi ao Parque Nacional Katmai, no Alasca (EUA), na esperança de capturar a interação de duas das principais atrações no local: os ursos e os salmões. Acabou fotografando uma briga entre ursos.  (Foto: Shogo Asao/NHPA/Photoshot)O fotógrafo japonês Shogo Asao foi ao Parque Nacional Katmai, no Alasca (EUA), na esperança de capturar a interação de duas das principais atrações no local: os ursos e os salmões. Acabou fotografando uma briga entre ursos. (Foto: Shogo Asao/NHPA/Photoshot)

Contaminação por mercúrio dobra nos mares em cem anos, diz estudo


Série de nove pesquisas mapeia presença do metal pesado nos oceanos. Um terço do mercúrio lançado no ar tem origem humana, dizem cientistas.


Uma série de nove estudos elaborados por uma equipe de 70 cientistas especializados em vida marinha indica que peixes, crustáceos e demais animais de oceanos do planeta estão cada vez mais sendo contaminados por mercúrio lançado no ar pelo homem, que acaba depositado nas águas marítimas.
Em cem anos, ao longo do século 20, a poluição na superfície dos mares pelo metal mais do que dobrou, apontam as pesquisas, publicadas em uma edição especial do periódico "Environmental Health Perspectives", nesta segunda-feira (3).
Barco pesqueiro sai em busca de lagostas, crustáceos e peixes em região costeira do Canadá (Foto: Andrew Vaughan/The Canadian Press/AP)Barco pesqueiro sai em busca de lagostas, crustáceos e peixes em região costeira do Canadá (Foto: Andrew Vaughan/The Canadian Press/AP)
A poluição por mercúrio é resultado de ações como mineração, queima de carvão e outros processos industriais, afirmam os cientistas. Os estudos foram realizados por pesquisadores de várias instituições, reunidos no Centro de Pesquisa Colaborativa sobre Ecossistemas, Vida Marinha e Mercúrio, sob a liderança da Universidade Dartmouth, nos EUA. 
"Os oceanos abrigam grandes atuns e peixes-espada, que juntos respondem por mais de 50% do mercúrio com origem marinha consumidos pela população dos EUA", afirma a pesquisadora Elsie Sunderland, da Universidade Harvard, uma das coordenadoras dos estudos.As pesquisas sugerem que o mercúrio lançado no ar acaba se depositando na água dos oceanos e em regiões costeiras, contaminando animais marinhos. Cerca de 90% do metal encontrado em mar aberto e 56% do identificado em grandes áreas de golfos têm origem no mercúrio emitido na atmosfera, que tem a ação humana como uma das origens.
No Atlântico Norte, a estimativa é que "uma redução de 20% do mercúrio depositado nos oceanos após ser lançado no ar traria um declínio de 16% nos níveis do metal encontrados nos peixes da região", diz o professor Robert Mason, da Universidade de Connecticut, que também integra as pesquisas..
Um terço de todas as emissões de mercúriona atmosfera estão ligadas à indústria ou outros fatores humanos que poderiam ser controlados, afirmam os cientistas.
Pescador fisga peixe em região de Cádiz, no litoral da Espanha (Foto: Jon Nazca/Reuters)Pescador fisga peixe em região de Cádiz, no litoral
da Espanha
Primeira vez
"Apesar de sabermos que a maioria da contaminação das pessoas por mercúrio se dá pelo consumo de peixes marinhos, esta é a primeira vez que cientistas trabalharam juntos para sintetizar o que se sabe sobre o 'caminho' do metal", ressalta a cientista Celia Chen, da Universidade Dartmouth, referindo-se ao "mapeamento" feito nos estudos.
A ideia de "mapear" o caminho do mercúrio é buscar suas "fontes para diferentes áreas do oceano, e depois rumo à cadeia alimentar, para chegar na maioria dos frutos do mar que consumimos", afirma Chen.
A contaminação por grandes doses de mercúrio pode causar problemas neurológicos, dores de cabeça, déficit de atenção e outros efeitos, além de ser prejudicial para grávidas e poder afetar bebês em formação no útero.
A exposição ao metal é feita em grande parte pelo consumo de alimentos vindos do mar, afirma a pesquisa. Estudos recentes apontam problemas de saúde em concentrações cada vez menores do metal pesado.

Em 9 países, floresta amazônica perdeu 240 mil km² de 2000 a 2010


Número é de rede de ONGs que levantou dados do Brasil e vizinhos. Ambientalista diz que Amazônia pode sofrer mais com 'novas ameaças'.


Entre 2000 e 2010, a floresta amazônica, distribuída por nove países da América do Sul, perdeu o total de 240 mil km² devido ao desmatamento, o equivalente a uma Grã-Bretanha, de acordo com dados reunidos pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciadas (RAISG), divulgados nesta terça-feira (4) por 11 organizações não governamentais.

É como se, em 11 anos, “sumisse do mapa” área equivalente a quase seis vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro. Os números fazem parte do documento “Amazônia sob pressão”, que reúne informações sobre a degradação registrada ao longo da última década na região englobada pelo bioma.
O documento reuniu dados oficiais de governos que detêm partes da Amazônia. No caso do Brasil, foram usados dados do sistema conhecido como Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável por divulgar anualmente a taxa de devastação do bioma no Brasil.
O relatório mensura ainda possíveis ameaças à floresta, que passa por uma acelerada transformação devido a obras de infraestrutura como hidrelétricas, estradas, além de atividades ilegais como a mineração.
Com isso, segundo a publicação, o ritmo atual de implantação desses tipos de empreendimentos poderia causar, nos próximos anos, o desaparecimento de até metade da selva amazônica atual, que cobre uma extensão de 7,8 milhões de km², cerca de 12 macrobacias, compartilhadas por 1.497 municípios.
“A Amazônia está fortemente inserida num processo de degradação, fragmentação e supressão. Nos últimos 50 anos, uma combinação de novas formas de ocupação tem suprimido essa paisagem por outra, mais seca que homogênea”, explica Beto Ricardo, da ONG Instituto Socioambiental (ISA), coordenador da rede amazônica que elaborou a pesquisa.
Garimpo ilegal localizado no meio da floresta amazônica, na Venezuela. A imagem foi feita em 17 de novembro deste ano durante sobrevoo sobre a região (Foto: Jorge Silva/Reuters)Garimpo ilegal localizado no meio da floresta amazônica, na Venezuela. A imagem foi feita em 17 de novembro deste ano durante sobrevoo sobre a região 
Ameaças e pressões
De acordo com o levantamento, todas as sub-bacias amazônicas foram afetadas por algum tipo de ameaça ou pressão -- construção de estradas, exploração de petróleo e gás, construção de hidrelétricas, implantação de garimpos para mineração, desmatamento e queimadas.
Sobre a construção de estradas, o documento afirma que planos para conectar os oceanos Atlântico ao Pacífico aceleram a pressão sobre a Amazônia, e que o Peru e a Bolívia são os países que detêm o maior número de rodovias construídas no meio da floresta.

O relatório aponta também que em toda a Amazônia existem 171 hidrelétricas em operação ou em desenvolvimento, além de 246 projetos em estudo.  No caso da mineração, as zonas de interesse somam 1,6 milhão de km² (21% do território do bioma), em especial na Guiana. Sobre a exploração de petróleo e gás, atualmente existem 81 lotes sendo explorados, mas há outros 246 que despertam interesse da indústria petrolífera.
Referente às queimadas, o relatório das ONGs diz que o sudeste da Amazônia, entre o Brasil e a Bolívia, concentra a maior quantidade de focos de calor -- a região recebe o nome de "arco do desmatamento". Esta faixa territorial vai de Rondônia, passando por Mato Grosso, até o Pará.
Imagem de 2010 mostra lote de madeira ilegal confiscado em Belém, no Pará (Foto: Divulgação/Paulo Santos)Imagem de 2010 mostra lote de madeira ilegal confiscado em Belém, no Pará (Foto: Divulgação/Paulo Santos)
Brasil é líder na degradação do bioma
O relatório computou dados da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Entre 2000 e 2010, o Brasil foi o principal responsável pela degradação da floresta (80,4%), seguido do Peru (6,2%) e Colômbia (5%). A quantidade é proporcional à área de floresta englobada pelo país (uma participação de 64,3% no território amazônico).
“Apesar dos dados de queda no desmatamento divulgados recentemente pelo governo, o Brasil é o país com maior passivo amazônico, especialmente por conta das estradas e da pecuária extensiva de baixa produtividade, apoiada em milhões de hectares de pastos degradados”, explica Ricardo.
Entre 2000 e 2010, o Brasil foi o principal responsável pela degradação da floresta
Na última semana, o Ministério de Meio Ambiente divulgou que o desmatamento da Amazônia Legal registrou o menor índice desde que foram iniciadas as medições, em 1988.
De acordo com dados do Prodes, entre agosto de 2011 e julho de 2012 houve a perda de 4.656 km² de floresta, área equivalente a mais de três vezes o tamanho da cidade São Paulo. O índice é 27% menor que o total registrado no período entre agosto de 2010 e julho de 2011 (6.418 km²).

Segundo o coordenador da rede amazônica, a degradação no bioma só não é maior graças às unidades de conservação e terras indígenas, que conseguem "frear" a tendência de desmate. "No entanto, elas não resistirão por muito tempo", acredita.
Ele afirma que, com o sistema, deverão ser implantadas rotinas de monitoramento das possíveis pressões e ameaças ao bioma, com o objetivo de aprimorar os dados de degradação de países que não têm um sistema rotineiro de observação, diferentemente do Brasil. "Queremos interagir com outras redes panamazônicas, disponibilizar informações e mobilizar as sociedades civis, além de interagir com os governos", disse Beto Ricardo.

Discussão sobre extensão de Kyoto acelerou, diz negociador brasileiro


Discussão sobre transferência de tecnologia e financiamento estaria travada.
Embaixador Luiz Alberto Figueiredo falou a jornalistas na COP 18, em Doha.


O chefe da delegação brasileira na COP 18, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, disse nesta terça-feira (4), em coletiva realizada em Doha, no Qatar, que as negociações referentes à prorrogação do segundo período do Protocolo de Kyoto foram aceleradas com a chegada dos ministros de Estado.
Ainda segundo ele, estão sendo realizadas reuniões bilaterais entre blocos de países, como G77+China e o grupo de países-ilha, que contam com a atuação do Brasil como mediador. Ele confirmou que a ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, participa das negociações.
O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe da delegação brasileira na COP 18 (Foto: Reprodução)O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe da
delegação brasileira na COP 18 (Foto: Reprodução)
Nesta segunda-feira (3), o presidente da COP, Abdullah Bin Hamad Al-Attiyah, convocou o Brasil e a Noruega a fazer consultas com os ministros a fim de tentar desentravar os trabalhos durante o segmento de alto nível, que começou nesta terça.
Figueiredo disse que ainda há duros entraves nas negociações referentes aos instrumentos de financiamento e transferência de tecnologia entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
“Sobre os direitos intelectuais, os países desenvolvidos não querem entrar em acordo, infelizmente. Por isso nós precisamos ser fortes neste tipo de negociação”, afirma.
Ele citou que é preciso esclarecer melhor detalhes sobre o financiamento a longo prazo, baseado no plano desenhado em Copenhague, durante a COP 15, que prevê a partir de 2013 um "fundo climático" de até US$ 100 bilhões em 2020.
“Temos que pensar em como desenvolver os meios de implementação. Este assunto ainda é muito sensível, mas precisa ser resolvido”, disse
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (no meio), em evento que antecedeu a abertura do segmento de alto nível da COP 18 (Foto: Karim Jaafar/AFP)O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (o segundo da esquerda para a direita), em evento que antecedeu a abertura do segmento de alto nível da COP 18 (Foto: Karim Jaafar/AFP)
Cobrança de mais atitude na abertura
Na abertura oficial do segmento de alto nível, realizada mais cedo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a importância de todas as regiões do mundo exercerem um papel importante na crise climática. “Os sinais de perigo estão em todos os lugares (...) ninguém está imune à mudança climática, [países] ricos ou pobres”.
Ban disse que o problema é coletivo, portanto, todos devem ter a solução. “Qualquer adiamento significa um estrago maior no futuro”, enfatiza o secretário, citando a negociação sobre a prorrogação do Protocolo de Kyoto, acordo global que obriga países desenvolvidos a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e que expira no fim deste mês. “O Protocolo é uma base para avançarmos. Sua continuação em 1º de janeiro de 2013 irá mostrar que os governos estão comprometidos”, disse.
“Nós temos os recursos financeiros e tecnológicos para encarar este desafio. É imperativo que ajamos agora, com urgência e um objetivo claro. Cuidar da mudança climática é essencial para o desenvolvimento sustentável. Vamos provar paras as próximas gerações que temos a visão para saber para onde precisamos ir e a ação para chegar lá”, complementa Ban Ki-moon.
Kyoto 2.0
O Protocolo de Kyoto, criado em 1997, obriga nações desenvolvidas a reduzir suas emissões em 5,2%, entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990.
Segundo negociadores brasileiros ouvidos pelo G1, o segundo período, tratado pelos diplomatas como “Kyotinho” ou “Kyoto 2” passará a vigorar a partir de janeiro de 2013. No entanto, as regras criadas em 1997 serão alteradas.
A prorrogação do atual plano foi oficialmente registrada no fim de 2011, em troca da promessa de se criar um novo acordo global que envolveria todos os países, planejado para entrar em vigor em 2020.
Em uma primeira dimensão simbólica, Kyoto 2 deverá cobrir apenas 15% das emissões globais de gases de efeito estufa, os da União Europeia e da Austrália, já que o Canadá abandonou o protocolo e a Rússia e Japão não querem uma segunda etapa. A Austrália quer reduzir as suas emissões em 5% e a UE, em 20% até 2020.

Pontas de cigarro usadas em ninhos protegem aves de ácaros, diz estudo


Aves que vivem em áreas urbanas podem usar objeto para fazer o ninho. Autor considerou o resultado 'inesperado'.


As pontas de cigarro usadas pelas aves na Cidade do México para tecer seus ninhos servem para protegê-los de parasitas, diz uma pesquisa chefiada pelo mexicano Constantino Macías García, publicada esta quarta-feira (5) pela revista científica "Biology Letters".
O estudo foi realizado na cidade universitária da Universidade Autônoma do México (Unam) pela equipe de Macías García, que explicou à AFP que o ponto de partida do estudo foram "informes que indicavam que as aves utilizavam pontas de cigarro coletadas nas ruas para tecer seus ninhos".
Pássaros que vivem em áreas urbanas podem improvisar objetos criados por humanos em seus ninhos (Foto: Jérôme Gorin / AltoPress / PhotoAlto / AFP)Pássaros que vivem em áreas urbanas podem improvisar objetos criados por humanos em seus ninhos (Foto: Jérôme Gorin)
"A pesquisa concluiu que as pontas dos cigarros reduzem o número de parasitas ácaros, como piolhos, que chupam o sangue ou comem as penas dos pássaros", disse em entrevista por telefone com a AFP o cientista mexicano, que está atualmente na Universidade de Saint Andrews, na Escócia, em um ano sabático.
"Examinamos os materiais que as aves estão utilizando para tecer seus ninhos na Cidade do México", explicou. "Mas suspeito que este fenômeno vai mais além do México", assegurou Macías, indicando que o resultado do estudo tinha sido "inesperado".
O pesquisador do Departamento de Ecologia da Unam admitiu que não se determinaram com certeza as "razões exatas pelas quais as aves usam as pontas de cigarros" para fabricar seus ninhos.
"Talvez lembrem as penas que usam para tecer seus ninhos ou também os pelos de animais que às vezes juntam", disse.
"Mas embora não saibamos porque o fazem, o que determinamos é que estas pontas contêm substâncias que são produto do cigarro depois de fumado e que estas substâncias parecem repelir os ácaros", enfatizou.
"Também pode ser que isto é uma consequência fortuita e que as aves usem as pontas por razões térmicas", para manter os ninhos aquecidos, acrescentou.
"Ainda não sabemos exatamente porquê de as aves usarem as pontas. Mas com experimentos, esperamos poder saber qual é a razão para que as aves recolham estas pontas das ruas para fazer seus ninhos, disse.
No entanto, "vimos consequências positivas no uso das pontas de cigarro: a redução dos parasitas nos ninhos. Isto é uma boa notícia", concluiu.